Obrigado pelo incentivo. De facto, tenho de concordar com o David Silva, tenho em mãos o que muitos de nós gostariam de ter. E descansem que está em boas mãos…
Queria dizer a quem está a fazer um restauro semelhante e não conheça profundamente o carro, seja ele um Cooper ou S, o acesso a boa informação e o seu respectivo estudo é fundamental. É impossível pôr um carro destes (digno do seu nome) na estrada, sem passar umas boas horas a cruzar informação. Aconselho a compra e leitura do livro
Original Mini Cooper and Cooper S – The Restorer’s Guide do John Parnell que é uma boa fonte de informação. Não está lá tudo, mas é um excelente ponto de partida. Para quem quiser dar uma olhadela, poderá fazê-lo
aqui. Existem outros livros bons (para o ano espera-se mais um livro do John Parnell, desta vez (ainda) mais dedicado aos detalhes) que podem ser consultados, mas que há que ter cuidado com o que se aceitar como correcto ou incorrecto. Atenção principalmente às fotos de carros restaurados... Cuidado com as fontes!
Relativamente ao problema das peças que é muito importante, e aqui o que leio em muitos tópicos aqui do Portal e de outros fóruns é que “para Mini há o material todo novo”, não é bem assim. Aliás, não é mesmo assim. E a questão é simples, é colocar as peças das quais de facto existem réplicas lado a lado com as originais e ver as diferenças. Façam o teste. Por esta razão, existe de facto muito material novo para mini, mas no meu irei evitá-lo ao máximo. Irei utilizá-lo na mecânica (onde for necessário), mas em tudo o que é acessório e sempre que possível, irei utilizar NOS ou recuperar o original. Na minha opinião, era isto que deveria fazer um mini ser vendido por “não sei quantos mil euros” e não uma data de acessórios ditos Works num carro com motor MG Metro. Mas isto são outras histórias.
O meu mini ficará na cor de origem, Tartan Red (RD9) com tejadilho preto (BK1), interiores Tartan Red/Gold Brocade e com o motor 1275S ligeiramente trabalhado uma vez que o carro será para eu me divertir e não para me gabar dos muitos cavalos enquanto fica parado na garagem. Se é que me entendem…
Quanto aos extras, e aqui é importante realçar a data de fabrico (pela qual me vou guiar), uma vez que alguns extras anteriores a Janeiro de 1966 passaram a ser equipados de fábrica após essa data. A data a considerar será a de Setembro/Outubro de 1964, uma vez que constam nos registos do BMIHT (British Motor Industry Heritage Trust) que o meu carro foi em conjunto com outros conhecidos (GE’s…) exportado para Portugal na forma de CKD a 17 de Setembro e a peça original e datada mais recente que encontrei foi uma fechadura com a data 44 4 (44ª semana – semana de 25 a 31 de Outubro - de 1964). O número do chassis, data dos vidros, ignição, interruptores, entre outras peças datadas, confirmam esta data, variando entre Setembro/Outubro. Isto pode parecer muito fácil e obvio de concluir, mas no caso dos minis que foram sem dúvida, dos carros mais adulterados ao longo do tempo, pode ser muito complicado de definir.
Posto isto e voltando aos extras dos S, irei colocar o famoso depósito direito, cintos de segurança e um radiador de óleo. Este último ainda não tenho e está a ser a peça mais difícil de localizar até à data. O motivo é porque enquanto extra (até finais de Dezembro de 1965), era montado na vertical por baixo do dínamo. Quando em Janeiro de 1966 passou a ser standard, a frente foi redesenhada para aceitar o radiador também redesenhado, mas montado na horizontal atrás da grelha. Os radiadores verticais desapareceram e os que há hoje em dia são os sobreviventes dos carros que os tinham como extra. Deixo fotos do que procuro, caso alguém saiba de algum.
Quanto ao plano de restauro, será definido em breve. Acompanhem.
Ricardo